Igreja usou Hackers para desviar mais de R$ 150 Mil de contas de fiéis
Investigação da Polícia aponta que entre os anos de 2013 e 2015, montantes foram retirados sem que familiares autorizassem em contas bancárias pós morte
Eduarda Sampaio
Reportagem Especial
01/05/2017
De acordo com uma investigação policial, mais um crime pode ser atribuído a igreja evangélica, que atacou o Grupo Kester com ataques Hackers nos últimos dias.
Documentos obtidos com exclusividade pela Reportagem de Kalel Em Foco, mostram que Hackers já haviam sido utilizados pela administração da seita religiosa antes.
Entre os anos de 2013 e 2015, idosos que pertenciam a igreja tiveram contas hackeadas e valores que chegam a R$ 150 Mil retirados, sem que seus familiares soubessem.
Esses fiéis, moravam em uma casa de propriedade da seita, para que vivessem em comunidade depois de atingirem certa idade.
Eram convencidos a venderem o que tinham e irem para este lugar, que funcionava como uma espécie de asilo, destacou a delegada que cuida das investigações.
Parte do dinheiro que conseguiam com a venda de seus bens, ficavam em contas bancárias dos fiéis, mas a maior parte destes recursos eles eram convencidos a doarem para a igreja.
Muitos destes eram aposentados, e parte de suas aposentadorias também eram doadas, já que na prática não precisavam pagar para morar no asilo.
Outro montante também era guardado em contas, que começaram a ser violadas com as mortes desses idosos.
De acordo com as informações da polícia, ao falecerem, os familiares tentavam fazer a retirada dos bens deixados em conta bancária.
O problema é que não havia mais nada a retirar, transferências eram feitas, sempre datadas de dias antes das mortes.
O que segundo a delegada ocorria, era que a própria igreja pedia para que essas transferências fossem feitas, mas depois que os idosos morriam.
Os valores, que atualizados chegam a R$ 150 Mil, mas que podem ser maior, já que nem todas as famílias reclamavam o dinheiro, eram transferidos por meio de acessos Hackers.
Os Hackers entravam nos sites dos bancos e conseguiam fazer essas transferências, usando dados repassados pela igreja como nome e CPF, sem que fosse necessário saberem as senhas.
Como a maior parte das contas pertenciam a dois bancos únicos, era ainda mais fácil burlar o sistema.
De acordo com a delegada, eles alteravam as datas de transferências, para que ninguém desconfiasse que o dinheiro foi retirado depois da morte.
10% dos valores retirados de cada conta eram o pagamento aos Hackers pelos serviços prestados, e outros 90% iam para a administração da seita.
Essa investigação só foi possível, graças a depoimentos feitos por Hackers que atacaram o Grupo Kester e seus sites, no último 1º de abril.
Em delação premiada, uma das Hackers que atacou o site, contou como ela e seu ex-namorado, que também é Hacker, conheceram a igreja.
Ela disse que o namorado relatou, ter feito alguns servicinhos para eles entre 2013 e 2015, mas que depois os pedidos pararam.
De acordo com as informações conseguidas pela polícia, muita gente começou a desconfiar e processos começaram a ser abertos para reaver os bens doados para a seita.
Isto fez com que eles não quisessem mais levantar suspeitas e pararam de executar a prática.
A igreja evangélica citada na reportagem, foi procurada para comentar o assunto.
Mas ninguém quis falar e os contatos não foram respondidos até a publicação desta reportagem.
De acordo com a polícia, diante aos depoimentos revelados, abriu-se uma investigação para apurar o que de fato ocorreu com esses recursos.
Pelo menos 15 famílias já foram identificadas e ouvidas pela delegacia, que deve fazer a Justiça a recomendação de indiciamento aos dirigentes da seita pelo crime de estelionato.
Para a delegada, o importante é agora identificar, quem sabia e quem mandava toda a ação, a partir daí pode haver o indiciamento da pessoa em específico e as devidas providências seriam tomadas.
Edição: Leticia Corsi